Só o que não se sabe do outro é potencialidade de amor. O óbvio certeiro é um limite que o olho nos dá. Mas além das frases feitas, dos gestos repetitivos, das normas, da formas, das fôrmas sempre iguais; existe o inconsistente, um intangível não depreciável... Mas é preciso enxergá-lo pra sabê-lo.
É preciso tocar as almas com as mãos da voz. Com o tato do silêncio... engolir os cheiros...
Aqui, é um lugar indefinido.
Nas paredes brancas não vejo retratos.
Na paisagem não vejo nenhuma lembrança.
Aqui, foi apenas uma escolha sem previsões, mesmo que um mapa manuscrito tivesse na mão para chegar. Joguei fora a bussola. Porque “aqui” me levará para o inesperado. E o que mais poderia querer nesse momento?!
Não vejo mar nesses dez graus de sonhos. Não escuto batida de congo.
“e agora parece observar-me tão espantada quanto estou com esse nosso inesperado encontro”.
Para Kris.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
segunda-feira, 2 de maio de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Você é um perigo
“Você é um perigo!”, disse o rapaz. E ela prontamente respondeu: “Você quer se relacionar com alguém que não seja um perigo?!”.
Roubei esse diálogo ontem na esquina da rua, quando tentava chegar em casa sem a saudade que me acompanhava. Queria mesmo deixá-la pelo caminho, mas não pude, ela me acompanhou até em casa... Então como ela já estava lá prostada... Entrou, sentou, se insinuou; deitou-se comigo a cama, e disse-me coisas ao pé do ouvido. E eu que só queria esquecê-la estava ali dominado por certa fragrância, que é típica de uma boa saudade. Ela me acompanhou madrugada adentro, falando baixinho no meu ouvido sobre o tempo; de todos os seus estágios, de todos seus contratempos...
A saudade é como uma irmã adotiva que sente inveja de você. Passará a vida toda do seu lado, desejando que você chore! Por qualquer motivo, você chore!
Na verdade a saudade é uma madrasta que te poem de castigo. E depois de afaga e lhe aconchega contra o peito.
A saudade é uma vaca! Mugindo incessante na nossa orelha.
Não havia perigo naquela garota, enquanto ela estava ali parada esperando que ele a tomasse nos braços sem medo. Havia perigo, ele sabia e ela, no depois. No depois do beijo, no depois do sexo, no depois de dormirem juntos... O perigo estava na lembrança dos acontecimentos. O perigo estava na possibilidade da saudade.
E como ela é uma oferecida! Rodeando-nos como um guarda noturno, sempre em vigília. Ela é uma descabida. Guardo-a no peito.
Roubei esse diálogo ontem na esquina da rua, quando tentava chegar em casa sem a saudade que me acompanhava. Queria mesmo deixá-la pelo caminho, mas não pude, ela me acompanhou até em casa... Então como ela já estava lá prostada... Entrou, sentou, se insinuou; deitou-se comigo a cama, e disse-me coisas ao pé do ouvido. E eu que só queria esquecê-la estava ali dominado por certa fragrância, que é típica de uma boa saudade. Ela me acompanhou madrugada adentro, falando baixinho no meu ouvido sobre o tempo; de todos os seus estágios, de todos seus contratempos...
A saudade é como uma irmã adotiva que sente inveja de você. Passará a vida toda do seu lado, desejando que você chore! Por qualquer motivo, você chore!
Na verdade a saudade é uma madrasta que te poem de castigo. E depois de afaga e lhe aconchega contra o peito.
A saudade é uma vaca! Mugindo incessante na nossa orelha.
Não havia perigo naquela garota, enquanto ela estava ali parada esperando que ele a tomasse nos braços sem medo. Havia perigo, ele sabia e ela, no depois. No depois do beijo, no depois do sexo, no depois de dormirem juntos... O perigo estava na lembrança dos acontecimentos. O perigo estava na possibilidade da saudade.
E como ela é uma oferecida! Rodeando-nos como um guarda noturno, sempre em vigília. Ela é uma descabida. Guardo-a no peito.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Eu vim aqui dizer meu nome mas esqueci
Acho que deixei atrás da porta quando pendurei o casaco
Ou talvez tenha deixado a mesa quando tomava café
Não tem problema sair de casa sem nome
Mas agora queria dizer. Mas não acho nos bolsos da camisa, da calça...
Não posso me referi a mim muito menos a vocês sem primeiro uma apresentação.
E como faze-la se meu nome próprio deixei pra trás. Talvez caiu detrás da cabeceira da cama, ontem, quando eles esteve na boca daquela moça por longo tempo... talvez ela tenho-o deixado cair, porque me lembro que em um certo momento ela não o pronunciou mais. Talvez ele tenha ficado entre os travesseiros.
Posso começar mesmo sem dizer meu nome?
Eu prometo buscá-lo daqui a pouco e dize-lo no final.
Por favor não impeçam esse discurso pela falta de um nome.
Se importarão se encontrar outro no caminho que não o meu e então dize-lo aqui pra começar a leitura esperada...esse momento.... ?
Agora ninguém mais percebe que é apenas um nome
Agora não faz mais diferença
O que vim mesmo dizer?!
Acho que deixei atrás da porta quando pendurei o casaco
Ou talvez tenha deixado a mesa quando tomava café
Não tem problema sair de casa sem nome
Mas agora queria dizer. Mas não acho nos bolsos da camisa, da calça...
Não posso me referi a mim muito menos a vocês sem primeiro uma apresentação.
E como faze-la se meu nome próprio deixei pra trás. Talvez caiu detrás da cabeceira da cama, ontem, quando eles esteve na boca daquela moça por longo tempo... talvez ela tenho-o deixado cair, porque me lembro que em um certo momento ela não o pronunciou mais. Talvez ele tenha ficado entre os travesseiros.
Posso começar mesmo sem dizer meu nome?
Eu prometo buscá-lo daqui a pouco e dize-lo no final.
Por favor não impeçam esse discurso pela falta de um nome.
Se importarão se encontrar outro no caminho que não o meu e então dize-lo aqui pra começar a leitura esperada...esse momento.... ?
Agora ninguém mais percebe que é apenas um nome
Agora não faz mais diferença
O que vim mesmo dizer?!
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Todas as minhas letras foram guardadas para você
Para o dia que talvez, você reconhecesse esse amor
Quanto tempo pensando... Quanto tempo esperando...
A minha obra, a minha vida coloquei num livro pra te dar
E você fez de conta que não sabia
Você fingiu não se importar
Do mesmo jeito que finge não sentir falta desse amor
Era só esquecer dos erros e se entregar
Era só esquecer o medo
Não fuja mais de si mesma
Vem se encontrar de novo com você
Para o dia que talvez, você reconhecesse esse amor
Quanto tempo pensando... Quanto tempo esperando...
A minha obra, a minha vida coloquei num livro pra te dar
E você fez de conta que não sabia
Você fingiu não se importar
Do mesmo jeito que finge não sentir falta desse amor
Era só esquecer dos erros e se entregar
Era só esquecer o medo
Não fuja mais de si mesma
Vem se encontrar de novo com você
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
PERDAS E DANOS
É como se sentíssemos todas as dores do mundo. Não há palavra que exprima, não há verbo que explique. Só o corpo, a alma, tem as respostas que não precisam ser verbalizadas no momento em que “existir” parece um luxo. Porque diferente de sobreviver, existir requer presença; de corpo, de alma, de sorrisos forçados e farsas diárias... Existir requer muito talento. E me descubro uma fracassada, colecionando desastres a cada ano que se passa. As histórias se repetem, as perdas acontecem, e me sinto cada vez mais distante das pessoas, justamente porque me distancio de mim mesmo, cada vez que alimento essa rotina atual, que no fundo tenho negando há tempos.
Difícil definir o equilíbrio e o ponto em que devemos “estar” para não nos entregarmos nem a insanidade nem a sanidade, de forma tão absoluta.
Talvez melhor não fazer nenhuma escolha, mas ser escolhido.
A flexibilidade dos sentimentos, e tantos outros movimentos psíquicos do ser humano, fazem-nos andar flutuantes entre a ilusão e a realidade. Entre as regras e a liberdade. Entre o rebanho e a solidão.
Há uma dignidade maior do que imaginamos na escolha de sofrer. Estamos escolhendo “crescer”.
É necessário um mínimo de análise sobre as perdas e os danos. Viver a superficialidade das coisas pode ser um equivoco. E densidade não é bem uma escolha, simplesmente não possível ficar todo o tempo na superfície (superficial)...
É como se sentíssemos todas as dores do mundo. Não há palavra que exprima, não há verbo que explique. Só o corpo, a alma, tem as respostas que não precisam ser verbalizadas no momento em que “existir” parece um luxo. Porque diferente de sobreviver, existir requer presença; de corpo, de alma, de sorrisos forçados e farsas diárias... Existir requer muito talento. E me descubro uma fracassada, colecionando desastres a cada ano que se passa. As histórias se repetem, as perdas acontecem, e me sinto cada vez mais distante das pessoas, justamente porque me distancio de mim mesmo, cada vez que alimento essa rotina atual, que no fundo tenho negando há tempos.
Difícil definir o equilíbrio e o ponto em que devemos “estar” para não nos entregarmos nem a insanidade nem a sanidade, de forma tão absoluta.
Talvez melhor não fazer nenhuma escolha, mas ser escolhido.
A flexibilidade dos sentimentos, e tantos outros movimentos psíquicos do ser humano, fazem-nos andar flutuantes entre a ilusão e a realidade. Entre as regras e a liberdade. Entre o rebanho e a solidão.
Há uma dignidade maior do que imaginamos na escolha de sofrer. Estamos escolhendo “crescer”.
É necessário um mínimo de análise sobre as perdas e os danos. Viver a superficialidade das coisas pode ser um equivoco. E densidade não é bem uma escolha, simplesmente não possível ficar todo o tempo na superfície (superficial)...
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Me perdi na rua de casa. Por um momento, não sabia onde estava, e noutro queria voltar para o momento anterior. Como viver num sonho infinito, mas que um dia acaba?
Voltando ao fato de ser tão imponente... Não sei as respostas para esse acontecimento.
Estou mesmo cansada é de ser forte. Passei anos da minha vida empenhada em ter uma estabilidade financeira, agora que a tenho eu sinto um vazio tão grande!
Como se acalmar no desespero? O vazio é pior que o vácuo.
Penso que da mesma forma que minha mãe se agarra as orações e terços, eu a cerveja e a literatura barata.
Voltando ao fato de ser tão imponente... Não sei as respostas para esse acontecimento.
Estou mesmo cansada é de ser forte. Passei anos da minha vida empenhada em ter uma estabilidade financeira, agora que a tenho eu sinto um vazio tão grande!
Como se acalmar no desespero? O vazio é pior que o vácuo.
Penso que da mesma forma que minha mãe se agarra as orações e terços, eu a cerveja e a literatura barata.
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