sexta-feira, 22 de abril de 2011

Você é um perigo

“Você é um perigo!”, disse o rapaz. E ela prontamente respondeu: “Você quer se relacionar com alguém que não seja um perigo?!”.
Roubei esse diálogo ontem na esquina da rua, quando tentava chegar em casa sem a saudade que me acompanhava. Queria mesmo deixá-la pelo caminho, mas não pude, ela me acompanhou até em casa... Então como ela já estava lá prostada... Entrou, sentou, se insinuou; deitou-se comigo a cama, e disse-me coisas ao pé do ouvido. E eu que só queria esquecê-la estava ali dominado por certa fragrância, que é típica de uma boa saudade. Ela me acompanhou madrugada adentro, falando baixinho no meu ouvido sobre o tempo; de todos os seus estágios, de todos seus contratempos...
A saudade é como uma irmã adotiva que sente inveja de você. Passará a vida toda do seu lado, desejando que você chore! Por qualquer motivo, você chore!
Na verdade a saudade é uma madrasta que te poem de castigo. E depois de afaga e lhe aconchega contra o peito.
A saudade é uma vaca! Mugindo incessante na nossa orelha.
Não havia perigo naquela garota, enquanto ela estava ali parada esperando que ele a tomasse nos braços sem medo. Havia perigo, ele sabia e ela, no depois. No depois do beijo, no depois do sexo, no depois de dormirem juntos... O perigo estava na lembrança dos acontecimentos. O perigo estava na possibilidade da saudade.
E como ela é uma oferecida! Rodeando-nos como um guarda noturno, sempre em vigília. Ela é uma descabida. Guardo-a no peito.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Eu vim aqui dizer meu nome mas esqueci
Acho que deixei atrás da porta quando pendurei o casaco
Ou talvez tenha deixado a mesa quando tomava café
Não tem problema sair de casa sem nome
Mas agora queria dizer. Mas não acho nos bolsos da camisa, da calça...
Não posso me referi a mim muito menos a vocês sem primeiro uma apresentação.
E como faze-la se meu nome próprio deixei pra trás. Talvez caiu detrás da cabeceira da cama, ontem, quando eles esteve na boca daquela moça por longo tempo... talvez ela tenho-o deixado cair, porque me lembro que em um certo momento ela não o pronunciou mais. Talvez ele tenha ficado entre os travesseiros.
Posso começar mesmo sem dizer meu nome?
Eu prometo buscá-lo daqui a pouco e dize-lo no final.
Por favor não impeçam esse discurso pela falta de um nome.
Se importarão se encontrar outro no caminho que não o meu e então dize-lo aqui pra começar a leitura esperada...esse momento.... ?
Agora ninguém mais percebe que é apenas um nome
Agora não faz mais diferença
O que vim mesmo dizer?!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Todas as minhas letras foram guardadas para você
Para o dia que talvez, você reconhecesse esse amor

Quanto tempo pensando... Quanto tempo esperando...

A minha obra, a minha vida coloquei num livro pra te dar
E você fez de conta que não sabia
Você fingiu não se importar
Do mesmo jeito que finge não sentir falta desse amor

Era só esquecer dos erros e se entregar
Era só esquecer o medo

Não fuja mais de si mesma
Vem se encontrar de novo com você

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

PERDAS E DANOS

É como se sentíssemos todas as dores do mundo. Não há palavra que exprima, não há verbo que explique. Só o corpo, a alma, tem as respostas que não precisam ser verbalizadas no momento em que “existir” parece um luxo. Porque diferente de sobreviver, existir requer presença; de corpo, de alma, de sorrisos forçados e farsas diárias... Existir requer muito talento. E me descubro uma fracassada, colecionando desastres a cada ano que se passa. As histórias se repetem, as perdas acontecem, e me sinto cada vez mais distante das pessoas, justamente porque me distancio de mim mesmo, cada vez que alimento essa rotina atual, que no fundo tenho negando há tempos.
Difícil definir o equilíbrio e o ponto em que devemos “estar” para não nos entregarmos nem a insanidade nem a sanidade, de forma tão absoluta.
Talvez melhor não fazer nenhuma escolha, mas ser escolhido.
A flexibilidade dos sentimentos, e tantos outros movimentos psíquicos do ser humano, fazem-nos andar flutuantes entre a ilusão e a realidade. Entre as regras e a liberdade. Entre o rebanho e a solidão.
Há uma dignidade maior do que imaginamos na escolha de sofrer. Estamos escolhendo “crescer”.
É necessário um mínimo de análise sobre as perdas e os danos. Viver a superficialidade das coisas pode ser um equivoco. E densidade não é bem uma escolha, simplesmente não possível ficar todo o tempo na superfície (superficial)...

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Me perdi na rua de casa. Por um momento, não sabia onde estava, e noutro queria voltar para o momento anterior. Como viver num sonho infinito, mas que um dia acaba?
Voltando ao fato de ser tão imponente... Não sei as respostas para esse acontecimento.
Estou mesmo cansada é de ser forte. Passei anos da minha vida empenhada em ter uma estabilidade financeira, agora que a tenho eu sinto um vazio tão grande!
Como se acalmar no desespero? O vazio é pior que o vácuo.
Penso que da mesma forma que minha mãe se agarra as orações e terços, eu a cerveja e a literatura barata.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

ela abriu mão dos caminhos, deixou passar as possibilidades
descartou algumas pessoas
e se agarrou a outras sem consequencias
chora no quarto baixinho

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Amo nela aquilo que é visceral
Amo ela ser ela
Se mostrar a todos
Se mostrar no que diz, no que escreve, no que canta
Amo sua paixão pela letra, pela melodia, pela voz
E há tantas outras pequenas belezas...

Ela faz poesia, sendo a própria poesia
Canta sendo a música
Diz sempre da forma mais linda tudo que eu quero ouvir

Meu sonho de eternidade acreditei no dia que a conheci,
e soube que jamais largaria daquela mão

E hoje depois de tantos anos passados
Tanta coisa boa e junto tanta banalidade vivida
Tenho ainda a certeza que amo
talvez por motivos outros
talvez por não saber quem sou eu sem ela
talvez por saber que não há lugar melhor no mundo

Amo a intensidade que vejo em seu ser por completo
e que ninguém vê

Por isso é "meu" o seu desenho,
toda a sua forma

Amo sua melancolia, e seu desespero de as vezes não saber nada
e que... faz

Amo aquilo que você esconde de mim
E não há nenhum outro amor que assim a amará.